20/12/2012
A demanda por ampliação da infraestrutura de redes para prover serviços de banda larga, telefonia móvel e fixa, e serviços de quarta geração (4G) leva as operadoras a realizar um dos maiores investimentos conjuntos da história do setor. As principais companhias destinaram investimentos de R$ 72,9 bilhões no intervalo de 2011 a 2015, de acordo com cálculos da Tendência Consultoria Integrada, baseados nas estimativas das operadoras Telefônica/Vivo, Oi, GVT, TIM e Claro.
Para o período de 2011 e 2012, as estimativas das operados eram de aplicar aproximadamente R$ 39 bilhões. Para os anos seguintes, os aportes somam R$ 34 bilhões.
.A consultoria Teleco tem uma previsão ainda mais alta para o setor, de R$ 95,1 bilhões entre 2011 e 2014. Desse total, R$ 47,7 bilhões seriam aplicados nos próximos dois anos. Esse montante, diz Eduardo Tude, presidente da Teleco, inclui projetos de investimentos das operadoras de telefonia fixa e móvel, operadoras de banda larga fixa e de TV por assinatura.
Procuradas pelo Valor PRO, as operadoras garantem que o plano de investimentos contempla as exigências da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para analistas do setor, os recursos serão suficientes para que as operadoras cumpram as metas e desenvolvam novos serviços.
"Uma parte da infraestrutura necessária para instalação nacional dos serviços de 3G e 4G já foi instalada entre 2011 e 2012, e as operadoras têm saúde financeira para bancar os investimentos previstos", afirma Camila Saito, analista de telecomunicações da Tendências Consultoria Integrada.
"Na realidade, o investimento das operadoras seria menor se o seu objetivo fosse apenas atender aos compromissos estabelecidos pelo governo", diz Tude. Ele cita como exemplo os aportes feitos pelas teles na área de banda larga fixa, que não são obrigatórios, mas dão às companhias mais poder de fogo para competir no país.
Por outro lado, segundo Tude, para atender à demanda futura por serviços de telefonia e banda larga de alta velocidade seria necessário instalar redes de fibra óptica em 80% a 90% das residências do país, o que custaria, no mínimo, R$ 100 bilhões. "Hoje, não adianta implantar toda essa estrutura porque o smartphone com 4G custa mais de R$ 2 mil e a maioria da população não tem dinheiro para adotá-lo rapidamente", diz o consultor. Para as necessidades de curto prazo as operadoras buscam alternativas que incluem a instalação de redes de cobre ou híbridas - cobre até um ponto próximo do cliente e o último trecho completado com fibra óptica.
Renato Pasquini, gerente de telecomunicações da consultoria Frost & Sullivan, lembra que as operadoras já fecharam acordos com os fornecedores de equipamentos para implantar as redes 4G e ampliar a oferta de 3G dentro dos prazos fixados pelo governo. "O único fator que talvez possa gerar atraso é a exigência de uso de equipamentos nacionais", afirma.
Para o analista, Oi e GVT são as operadoras que devem acelerar investimentos agora para competir com as demais teles. "A Vivo já vinha fazendo aportes bastante relevantes e a TIM deve fazer aportes de maneira mais seletiva, voltando-se a alguns serviços", diz. Pasquini considera que a Claro, que perdeu clientes de telefonia móvel pós-paga este ano, lançou o 4G este mês na tentativa de manter a imagem de empresa inovadora e isso deve trazer algum resultado positivo nos próximos meses.
Para Tude, a Nextel, controlada pela NII Holdings, é a tele que se encontra em posição mais difícil. A companhia atrasou investimentos na implantação de 3G, que deveria ser lançada em 2010, mas começou a ser oferecida timidamente este mês, só para dados. Agora, a expectativa da companhia é acelerar seus projetos, aplicando, em média, R$ 1,2 bilhão por ano entre 2012 e 2014.
As operadoras não detalharam os valores específicos previstos para cada serviço e em infraestrutura. Entre as teles, a Telefônica/Vivo destinou o maior aporte, R$ 24,3 bilhões, para o período entre 2011 e 2014. Por meio de um comunicado, a companhia informou que "a maior parte dos recursos destina-se à ampliação e modernização das redes de telefonia móvel e fixa". Isso inclui expansão da rede de fibra óptica, da rede 3G+ e implementação de 4G. Do investimento total de R$ 7,2 bilhões para a rede móvel da Vivo, de 2012 a 2014, R$ 2,7 bilhões foram aplicados neste ano.
A Oi investirá R$ 24 bilhões entre 2012 e 2015, com recursos do seu caixa e financiamentos, segundo a própria companhia. Em comunicado, a Oi informou que a maioria dos recursos será destinada à expansão da infraestrutura de banda larga - com redes sem fio (Wi-Fi) e fibra óptica para 3G e 4G. Só em 4G serão investidos R$ 1 bilhão até 2015. A companhia já realiza testes no Rio e prevê lançar o serviço até abril de 2013.
A GVT, controlada pelo grupo francês Vivendi, tem como meta investir R$ 2,5 bilhões ao ano até 2017, sendo que os aportes para este ano somam R$ 2,6 bilhões. Os recursos serão usados sobretudo na expansão da rede óptica e no lançamento de serviços, como TV por internet e videoconferência em alta definição.
A meta da TIM é realizar aportes de R$ 9,5 bilhões entre este ano e 2014. Do total, 92% serão aplicados em infraestrutura de redes para elevar a oferta dos serviços 3G e lançar 4G no próximo ano. A companhia informou que do valor total previsto, R$ 3,5 bilhões foram investidos em 2012 e R$ 3 bilhões em 2013. Os aportes serão feitos com recursos provenientes da própria geração de caixa e de empréstimos de longo prazo. Neste mês, o BNDES aprovou a ampliação do limite de crédito da TIM de R$ 1,51 bilhão para R$ 3,67 bilhões.
A Claro, controlada pela América Móvil, por sua vez, prevê aplicar R$ 6,3 bilhões até 2014 na melhoria dos seus serviços e na implantação de 4G. Desse total, R$ 510 milhões serão aportados até março de 2013, de acordo com Carlos Zenteno, presidente da operadora: "A meta é ampliar a rede de cobertura e oferecer serviços inovadores, sem deixar de lado a qualidade." A empresa também pretende instalar um cabo submarino ligando o Brasil aos Estados Unidos para ampliar a velocidade das transmissões de voz e dados.
Por fim, Sercomtel e Algar Telecom planejam investir R$ 42,6 milhões até 2014 no aperfeiçoamento dos seus serviços móveis.
Fonte: Cibelle Bouças - Valor Econômico
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