Para Agência Espacial Brasileira, prazo inviabilizou nacionalização de satélite

18/11/2014

A Agência Espacial Brasileira, assim como a Visiona e a Telebras reagiram às críticas de que não há participação da indústria nacional no satélite geoestacionário de defesa e comunicações. Ainda que seja considerada uma nova etapa do programa espacial, a importação do artefato atende à demanda dos contratantes: o cumprimento do prazo para que o satélite esteja funcionando.

“O SGDC tem que ser visto pelo momento em que estamos passando.

A novidade é que hoje temos clientes que impõem condições para financiamento, tempo necessário para desenvolver, e o SGDC é um desses exemplos. O Ministério da Defesa e o Ministério das Comunicações se posicionaram com foco em cima de tempo”, justificou o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, em audiência pública nesta terça-feira, 18/11.

O satélite vai atender necessidades da Telebras – para oferta de banda larga em áreas remotas, como a Região Norte – e das comunicações das Forças Armadas, dependentes da contratação de serviços de multinacionais desde a privatização das telecomunicações. Para isso, a Telebras firmou uma sociedade com a Embraer na criação da Visiona, a integradora do satélite geoestacionário.

A Visiona, por sua vez, contratou as empresas francesas Thales Alenia Space e Arianespace para, respectivamente, para fornecer e levar o satélite ao espaço, o que está previsto para se a partir do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa. O contrato na forma como foi anunciado é de R$ 1,3 bilhão.

O projeto foi tema de audiência pública no Senado Federal nesta terça, 18/11, onde houve críticas de que faltou entrosamento entre esse projeto e a indústria aeroespacial brasileira. “É evidente que nos 30 anos de atividade espacial construímos capacitação para várias coisas, mas temos dificuldades de atender a essa necessidade especifica e precípua de tempo”, insistiu o presidente da AEB.

O Ministério da Defesa confirma que o prazo é exigência, mas defende que trata-se do primeiro dos satélites geoestacionários com a mesma função. “O SGDC é um primeiro objetivo. Mesmo cumprindo questões de tempo ainda assim traz benefícios, se não imediatos, com certeza para os próximos. A demanda é por uma constelação de três satélites”, disse o coronel Anderson Alvarenga, da assessoria para o projeto do satélite no MD.

Eduardo Bonini, presidente da Visiona, lembrou que o programa original do SGDC “começou com dois anos de atraso, pois devia estar no espaço em 2014”. A previsão atual é de lançamento em outubro de 2016 – ao que se segue uma primeira fase de testes em órbita e a operação efetiva planejada para a partir de janeiro de 2017.

“É importante é garantir uma sequência, mas o que falta mesmo são projetos. Quando virá o SGDC 2 para usarmos a capacitação. Falta investimento, novos programas que tragam oportunidade de utilização do conhecimento que estamos absorvendo. E clientela disso é o governo”, afirmou o presidente da Visiona. O caminho tem sido o oposto. “Nos últimos três anos os investimentos caíram R$ 45 milhões por ano e já levamos isso ao Ministério de Ciência e Tecnologia e à Casa Civil”, emendou.

Fonte: Luís Osvaldo Grossmann - Convergência Digital

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