Operadoras móveis precisam buscar parcerias para chegar na nuvem

27/02/2013

O desafio é gigantesco: preparar empresas que tradicionalmente só vendem conectividade para prestarem serviços em nuvem. Isso, em um ambiente em que as redes enfrentam a pressão do crescente tráfego de dados e exigem investimentos pesados. Esse é o momento complicado vivido pelos operadores de telefonia celular e retratado com um certo tom de preocupação no Mobile World Congress, que aconteceu esta semana em Barcelona. A razão para algum receio é simples: hoje, quem inova e quem domina o mercado de aplicativos e conteúdos digitais são as empresas de Internet. As operadoras de rede vendem, essencialmente, o tráfego dos bits pela infraestrutura.

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"As operadoras estão essencialmente grandes demais para conseguir inovar nesse ambiente", disse Joachin Horn, CTIO da operadora Tele2, que tem cerca de 35 milhões de clientes e opera em 11 países da Europa. Para ele, a oferta de serviços em cloud é um risco para as empresas, porque envolve um aprendizado em uma área que elas não atuam, mas também é uma oportunidade para recolocá-las no jogo dos conteúdos. "O segredo é oferecer o básico, fazer tudo de forma mais padronizada possível, porque assim o risco de errar é menor", disse. Enquanto usuárias de aplicações em cloud, Horn disse que os sistemas de uma operação de telecomunicações são muito atrelados à rede e é difícil separar as duas coisas.

Kevin Johnson, CEO da Juniper, acredita que as operadoras de rede estão em uma posição importante para explorar o negócio de serviços em nuvem por terem domínio de uma parte crítica, que é a infraestrutura. "A rede é o core de uma operação em cloud". As oportunidades são grandes, diz ele. Hoje o mercado de cloud para empresas já passa de US$ 30 bilhões e no segmento pessoal é ainda maior, da ordem dos R$ 220 bilhões, se somar publicidade online, comércio eletrônico e transações financeiras.

Parcerias

Drew Houston, fundador da Dropbox, empresa de armazenamento de conteúdos em nuvem, disse que o grande diferencial dos inovadores que já estão atuando no desenvolvimento de aplicações e conteúdos cloud é o foco. "Isso não há como as operadoras terem. Por isso o caminho é o das parcerias. Depois que passamos a nos aliar a outros desenvolvedores de aplicativos (que usam o Dropbox como ferramenta de compartilhamento e armazenamento), fabricantes de handsets (que embarcam o aplicativo e oferecem capacidade em nuvem como diferencial) e operadoras, nossa base de usuário dobrou em apenas 12 meses", diz. Os números da Dropbox são impressionantes: 100 milhões de usuários, mais de 1 bilhão de arquivos transferidos ao dia.

Fonte: Samuel Possebon - Teletime

 

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