10/05/2013
A Hispamar, subsidiária do grupo europeu Hispasat, entrou nas Américas em 2002. De 2005 para até 2012, obteve uma média anual de crescimento em torno de 25%, sendo que, no ano passado, este porcentual subiu para 19%. Atualmente, a região já é responsável por mais de 50% da receita do grupo, fatia que deve seguir crescendo. Para isso, a companhia colocou em operação seu terceiro satélite, o Amazonas 3, o primeiro a operar no Brasil na banda Ka, com a capacidade já totalmente vendida. Além disso, vai reposicionar o Amazonas 1 e planeja mais três lançamentos nos próximos anos, além de avançar nos serviços oferecidos aos clientes, para além da capacidade. O Tele.Síntese entrevistou o diretor da companhia para Brasil e América do Sul, Sérgio Chaves, sobre o atual momento do negócio e as perspectivas para o futuro.
TeleSíntese - Como o senhor definiria o atual momento da empresa?
Sérgio Chaves - Nesses anos em que estamos na região, lançamos o Amazonas 1 em 2004, depois veio o Amazonas 2 e, agora, estamos lançando a Amazonas 3. Fomos a primeira empresa a lançar um único satélite em banda C e banda Ku no Brasil e a primeira a usar algumas frequências especiais como 30D, para otimizar o espectro em 60 graus. Agora, somos a primeira a usar a banda Ka, voltada para banda larga, ou serviços com grande necessidade de tráfego. Estamos bem.
TeleSíntese - Qual a visão do grupo Hispasat em relação a região?
Chaves - A sede, em Madri, vive um cenário de crise, com uma pequena recuperação, mas com curva de crescimento baixo. Por aqui, há um crescimento muito grande e o que está sendo falado é em apostar na região. Todos os grandes investimentos previstos nos próximos quatro anos envolvem as Américas. Prevemos três lançamentos para cobrir a região nos próximos anos.
TeleSíntese - O Amazonas 3 foi lançado com a Banda Ka. Qual a demanda por esse serviço?
Chaves - O projeto de banda Ka é diferente dos demais projetos de satélite, porque requer feixes específicos para pontos onde há demanda. O cliente faz a reserva de capacidade antes mesmo de eu lançar o satélite. A capacidade de banda Ka já está praticamente toda vendida, mais de 80% já foram negociados com grandes compradores.
TeleSíntese - Para quais regiões esta solução é interessante?
Chaves - A banda Ka é interessante apenas para locais onde há densidade demográfica alta ou onde a exigência de tráfego é muito alta, e pode ser que uma região pequena consuma muita banda. O foco seriam locais como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A a região do Pré-Sal, por exemplo, embora pequena tende a consumir muita banda.
TeleSíntese - E a capacidade das bandas C e Ku do Amazonas 3?
Chaves - Como o Amazonas 3 está substituindo o Amazonas 1, haverá apenas mudança de satélite, de forma transparente para os clientes. Há um pequeno aumento de capacidade, uma configuração diferente, de acordo com a demanda, mas para atender os clientes atuais.
TeleSíntese - O que acontece com o satélite Amazonas 1?
Chaves - O Amazonas 1 continuará dando serviço, em outra posição. Para isso estamos juntando toda a documentação e vamos pedir autorização para a Anatel. A tendência é que continue a cobrir as Américas e a Europa. Mas, dependendo da nova posição orbital, poderá ter apenas banda Ku, isso depende. Vamos ver.
TeleSíntese - Qual a previsão do senhor para a receita da companhia no ano de 2013?
Chaves - Em 2013, teremos um crescimento menor porque chegamos no nosso ponto de saturação em termos de capacidade. Mas, em 2014, acreditamos que daremos um salto igual ou maior ao que temos dado até agora. Por conta do Amazonas 3 e de outros projetos que ainda não podemos falar.
TeleSíntese - Mas é possível adiantar de quais áreas sairá esse crescimento robusto em 2014?
Chaves - Teremos o ingresso da banda Ka e, além disso, acreditamos na crescente demanda de DTH, com o reposicionamento do Amazonas 1, teremos capacidade adicional. Queremos mais do que vender capacidade, oferecer serviços. Além disso, a demanda por serviços de backhaul tem espaço para crescer ainda. E há outros serviços menores crescendo, como o ensino a distância, mercado onde estão ocorrendo consolidações importantes, que podem puxar os negócios. Por último, há uma boa oportunidade na área governamental, com o Gesac.
TeleSíntese - Qual a importância do segmento governamental para vocês?
Chaves - Hoje este segmento é pequeno em termos de receita. Diretamente, temos apenas um cliente. Acabamos atendendo o governo indiretamente, por meio das operadoras .
TeleSíntese - Falando em governo, qual a avaliação da empresa sobre a iniciativa da Telebras de lançar um satélite?
Chaves - Nos parece que a iniciativa da Telebras é voltada para atender a necessidades do próprio governo, do Exército, por exemplo. Entendemos que há fundamento e há, inclusive, outras iniciativas semelhantes nas Américas. Mas o governo é um grande comprador, inclusive pelo Gesac, do Ministério das Comunicações, cujo edital está para sair. Acho só que o governo não deve vender capacidade para o setor privado, tem outros papéis para exercer.
TeleSíntese - Em 2012 passaram a valer as regras de carregamento de canais previstas na lei de Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). Isso trouxe maior demanda para vocês?
Chaves - O pessoal de DTH foi à Anatel e discutiu a falta de capacidade do mercado. Isso fez o impacto ser menor até agora, porque a demanda foi diluída ao longo do tempo. O mercado conseguiu respirar. Mas a tendência é um crescimento de algo em torno de 10%, no mínimo, por conta das obrigações do SeAC.
TeleSíntese - Então o impacto foi diluído, mas até quando será sentido?
Chaves - Este ano e em 2014 ainda teremos reflexos da implantação do SeAC.
TeleSíntese - E os grandes eventos? As empresas já contrataram capacidade? Chaves - O mercado se movimenta, temos recebido pedidos de cotação, fechamos alguns acordos, mas ainda não no volume que esperávamos. Pela nossa percepção, haverá maior movimentação no segundo semestre de 2013.
Fonte: TeleSíntese
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